O papel do professor no processo de inclusão

“ andando a vagarosos e atenciosos passos…”

Com essa frase ouvida no II Simpósio do Autismo inicio minha reflexão da semana que mais uma vez  mostra a importância do professor no processo de inclusão.

Nesse último mês passei por experiências que me deixaram inquieta e pensativa no que mais posso fazer por esses profissionais. Pude acompanhar centenas de profissionais no simpósio, realizei visitas as escolas das crianças do Projeto,  ministrei uma palestra e participei da Reatech e em todas as situações me deparei com a inquietação de muitos profissionais que frente as dificuldades de seus alunos partem em busca de alternativas e eles são muitos.

Infelizmente, os bons profissionais carregam o rótulo daqueles que não estão nem ai para seus alunos. Como sempre estamos a mercê de profissionais que se dedicam ou não como em qualquer outra profissão. Mas existe muito profissional bom, envolvido e na estrada atrás daquilo que possa contribuir para o melhor rendimento de seus alunos. E nessa caminhada passos vagarosos voltam atenção para cada pequeno detalhe.

Mas todos nós sabemos que por mais boa vontade que se tenha sozinho professor nenhum conseguirá dar conta desse processo. Isso porque nosso aluno que precisa de uma atenção a mais não está só, com ele,  muitas outras crianças também precisam do professor. Para isso a escola precisa trabalhar em conjunto, todos os profissionais envolvidos devem saber o que esse aluno precisa,  como trabalhar com ele, o que cobrar, como falar. O aluno de inclusão não é trabalho de um professor e sim de todo o grupo, da escola, da sociedade. Visitei  algumas escolas nesse início de ano e tive uma boa surpresa ao invés de conversar com o professor e coordenador, pude apresentar a proposta de trabalho a uma equipe e me senti satisfeita presenciar tamanho envolvimento dessas escolas.

Diante de tantos questionamentos tentei selecionar pequenas dicas que possam orientar os professores nesse início de ano:

Conheça seu aluno. Saiba o que ele gosta e o que o desagrada. Assim você poderá iniciar uma aproximação, a criação de um vínculo e a partir daí um bom trabalho poderá surgir;

Divida a apresentação de tarefas e atividades, apresente passo a passo a seu aluno. Faça as antecipações necessárias e prepare-o para o que for preciso;

Organize o espaço e torne o ambiente familiar;

Estabeleça uma rotina de trabalho e mostre-a no decorrer do trabalho ( oque já foi realizado e o que vem depois). Se seu aluno sentir-se seguro  será mais fácil controlar os comportamentos indesejados, improdutivos;

Selecione os conteúdos relevantes é melhor menos conteúdo e mais qualidade e envolvimento do que a tentativa em vão de despejar conteúdos;

De instruções claras e curtas e acompanhe a execução de cada para saber onde está a dificuldade;

Valorize cada pequena conquista de seu aluno, elogie, recompense, vibre e demonstre satisfação pelo trabalho realizado. Mesmo que o seja um pequeno avanço lembremo-nos dos vagarosos passos da citação inicial. Acredite em seu aluno, tenha uma visão otimista, pois de  experiências desatrosas o mundo já está cheio;

Busque ajuda. Professor nenhum tem a obrigação de entender cada especificidade de cada transtorno, síndrome ou dificuldade. Pesquise, leia, pergunte e troque experiência com outros profissionais.

Por fim, não se assustem, não desanimem, pois a inclusão é uma realidade que veio pra ficar e somos nós que escreveremos essa história, é de nossas experiências que essa Inclusão será uma realidade de sucesso, consequência de anos de trabalho. Por isso, lanço uma campanha de incentivo as práticas inclusivas. Compartilhe conosco sua experiência. Registre sua história e envie-nos no email projetoamplitude@projetoamplitude.org ou  publique diretamente em nossa página do facebook.

A todos profissionais que me procuraram com suas dúvidas e anseios,  deixo aqui minha admiração e solidariedade. Em nome do Projeto Amplitude coloco-me a disposição para que juntos possamos pensar em estratégias e soluções para os problemas de cada dia, de cada sala, de cada aluno.

Autora: Patricia Alonso Fruchi – Coordenadora Pedagógica