FAQ

Quais as características mais comuns que devo observar no meu filho?

Falta de contato visual, atividades ou movimentos repetitivos e sem função ou com função de auto-estimulação. Dificuldade na interação com outras crianças e com adultos, em fantasiar uma brincadeira e uso inadequado dos objetos. Geralmente as crianças do espectro também apresentam dificuldade para se comunicar com o outro, seja através de gestos ou verbalmente, e dificuldade em compartilhar objetos e emoções.

Como obter um diagnóstico?

A melhor maneira de se obter um diagnóstico é através do médico psiquiatra ou neurologista. Se você tem dúvidas sobre o comportamento de seu filho, a melhor coisa a fazer é procurar ajuda profissional o quanto antes. Ao iniciar qualquer intervenção psicoeducativa, é preciso certificar-se, através de um exame médico, se não existe, na origem dos comportamentos disfuncionais, qualquer dor ou doença física.

O autismo tem tratamento?

Sim, e este vem evoluindo a cada ano que passa. Existem muitas técnicas e atividades educativas que podem ajudar no caminho para uma melhor qualidade de vida. A intervenção precoce é fundamental para um melhor resultado, quanto mais cedo iniciarmos o tratamento mais chances da criança desenvolver as habilidades para uma vida produtiva. A análise aplicada do comportamento (ABA) vem despontando como um método muito eficiente no desenvolvimento destas habilidades. Atualmente o resultado final pode ser bastante satisfatório.

É verdade que a criança autista não é afetuosa?

Não. Este é um mito que não devemos perpetuar. A criança autista apresenta mais dificuldades na interação com os outros e, portanto, precisa de ainda mais carinho e afeição. As crianças com autismo, assim como qualquer outra criança, se beneficiam muito com o afeto e, se estimuladas, vão corresponder a este afeto.

O autismo é genético?

Existem muitos estudos em relação a esta pergunta, e cada vez mais estamos nos aproximando de uma resposta. O que sabemos hoje é que existem componentes genéticos que podem influenciar o autismo, mas estas cadeias de DNA ainda estão sendo estudadas. Podemos afirmar que a incidência de autismo entre irmãos é maior que na população em geral, sugerindo que o componente genético tem grande influencia na incidência do autismo.

É possível uma criança autista freqüentar uma escola regular? Meu filho pode aprender?

Sim. Com certeza seu filho se beneficiará com a escola regular. A escola vai estimular a interação social com outras crianças e os conteúdos acadêmicos podem ser trabalhados de maneira diferenciada, com ajuda de outros profissionais. Dependendo do grau de autismo da criança, pode-se inserir um acompanhante terapêutico, que vai ficar responsável pela inclusão. Este acompanhante terapêutico deverá ser orientado por um analista do comportamento e seguir métodos específicos de ensino, poderá também, junto à escola, adaptar o currículo e atividades pedagógicas.

O que posso fazer para ajudá-lo a se desenvolver?

Em primeiro lugar, você pode dar muito carinho e amor para seu filho, pois ele vai precisar. Em segundo lugar você precisa saber as dificuldades de seu filho para poder ajudá-lo. É uma criança com muita capacidade de desenvolvimento, mas que vai precisar de mais estímulos e de métodos específicos de aprendizado, diferentemente das crianças com desenvolvimento típico. Você pode procurar profissionais das áreas de medicina, de fonoaudiologia, de pedagogia e de psicologia comportamental. Estes profissionais podem ajudá-los a se comunicar melhor com seu filho, a entendê-lo melhor e a acima de tudo, podem sugerir métodos de aprendizado específicos para criança com autismo. Aprendizado este que engloba todas as áreas do desenvolvimento, como atividades de vida diária, comportamento verbal, desenvolvimento social e desenvolvimento acadêmico.

O meu filho entende o que eu falo?

Ele tem capacidade de desenvolver esta habilidade de entender o que você fala e você pode ajudá-lo a aprender. Ao falar com ele, você pode fazer de uma maneira que possa garantir que ele está te escutando e com a atenção voltada para você. Inicialmente você pode buscar o contato visual com seu filho através de um brinquedo, colocando-o bem perto de seus olhos ou sua boca e ajudando-o fisicamente, direcionando seu corpo e mãos a fazer o que você pede. Após um tempo de ensino desta habilidade esperamos que ele desenvolva a capacidade de entender tudo que você fala.

Meu filho balança as mãos de um jeito esquisito toda vez que fica feliz. O que posso fazer para diminuir este comportamento?

Estes comportamentos podem ser diminuídos através do ensino de novos comportamentos mais aceitos socialmente. Você pode ensiná-lo a bater palmas sempre que este comportamento aparecer, para isso, você pode redirecionar fisicamente para o outro movimento (pegando em suas mãos e batendo palmas junto com ele), e ao mesmo tempo falar: “Que legal que é bater palmas quando estamos felizes”. Desta maneira você estará estimulando um comportamento incompatível com o balançar das mãos. A tendência é que após um tempo de ensino ele passe a bater palmas sem ajuda.

Como posso brincar com meu filho?

Você pode estimular uma brincadeira através de algo que seja do interesse de seu filho. Por exemplo, se ele gosta de carros, mesmo que fique apenas girando a rodinha, você pode ensiná-lo a usar o carro de uma maneira mais produtiva. Sentando-se junto com ele e redirecionando fisicamente sua mão para empurrar o carrinho pelo chão, ao mesmo tempo você pode ir dando carinho e elogios, estimulando esta nova maneira de brincar, como: “Uau, que legal que a gente empurra este carrinho, olha só o que ele faz… passa pelo túnel, que legal!”. Desta maneira você estará ensinando um jeito mais adequado de brincar associando sua atenção a este novo comportamento. No inicio, seu filho vai precisar de bastante redirecionamento (até mesmo físico), de carinho e elogios para aprender a brincar de uma maneira mais funcional, quanto mais estímulos, melhor o resultado.